terça-feira, 24 de julho de 2007

O Despertar da China: Parte 2




Documentário em 4 episódios filmado em alta definição sobre a nova China, numa parceria CBC, NY Times e Discovery.

Um fabuloso documentário em quatro partes que nos leva ao coração de um país que experimentou a mais notável transformação na história do planeta, e que revela como a mais antiga civilização da Terra se tornou numa importante superpotência. A China vai ser o país anfitrião dos próximos Jogos Olímpicos de 2008 e já está a afectar quase todos os países do globo.

O documentário começa com constrangedoras e verídicas histórias de homens e mulheres que usufruiram desta monumental mudança da China e daqueles que foram deixados para trás.

Alguns dos mais conceituados jornalistas e realizadores do mundo,da CBC Television, do New York Times e da Europa tiveram acesso ao povo da nova China.Uma série documental que levou dois anos a ser rodada, uma co-produção de televisões da Alemanha, França e dos Estados Unidos.

Link e-mulle:O.Despertar.da.China.Parte.2.RTP2.JPL.TVRIP.avi

CAPITULO 1: “DEFENSORES DE LA FE”: La Iglesia y la Guerra Civil.




Cita:
“El laberinto español” ha elegido para su estreno del viernes un debate que girará en torno al papel de la Iglesia en la Guerra Civil, a propósito de la emisión del documental “Defensores de la fe”. Este trabajo, filmado por Russell Palmer, un director norteamericano que se convirtió en un enérgico defensor del general Franco, es un documento excepcional y de gran valor, ya que es el único rodado en color durante la Guerra Civil del que se tiene constancia. El documental fue realizado por un equipo de cuatro personas dirigido por Palmer, en el año 1936.
Este trabajo documenta, será analizado por tres expertos en la Historia Contemporánea de España: el monje de la Abadía de Montserrat Hilari Raguer, autor de muchos trabajos sobre la época, entre ellos “La pólvora y el incienso”; el catedrático de Historia de la Universidad de Deusto (Bilbao) Fernando García de Cortázar, conocido por sus numerosos estudios de divulgación tanto en televisión como en libros, y el Doctor en sociología y Catedrático de Historia Social de la UNED Santos Juliá, reciente premio Nacional de Historia por su libro “Historias de las dos Españas”.

El.Laberinto.Español.(Los.defensores.de.la.fe).(DVB-T_RIP.XviD.mp3).por.R2D2.avi
El.Laberinto.Español.(Debate_Los.defensores.de.la.fe.).(DVB-T_RIP.XviD.mp3).por.R2D2.avi

domingo, 22 de julho de 2007

El Laberinto Español : CAPITULO 3 - LA BATALLA DEL EBRO.



La Batalla del Ebro será abordada en las dos siguientes entregas, los viernes 21 y 28 de abril. “La Batalla del Ebro I”, es un trabajo dirigido por Jorge Martínez Reverte, basado en su libro del mismo título escrito en septiembre de 2003, y realizado por Pedro Arjona. Se trata de un documental de dos partes, construidas a partir de la mirada personal de los combatientes y no desde el análisis sociopolítico de la contienda. En el debate posterior se comentarán las distintas “Estrategias militares durante la guerra civil”. Los invitados a este programa serán el Coronel Carlos Blanco Escolá, el periodista Miguel Ángel Aguilar y el historiador Julián Casanova.

lINK E-MULLE: El.Laberinto.Español.(Debate_La.Batalla.del.Ebro_2.de.2).(DVB-T_RIP.XviD.mp3).por.R2D2.avi

EL LABERINTO ESPAÑOL: CAPITULO 10 - EL AMERICANO



Cita:
El fotógrafo norteamericano Eugene Smith publicó en 1951 un reportaje en la revista Life sobre la España de la posguerra y el Franquismo. El escenario escogido: la localidad extremeña de Deleitosa. Los protagonistas principales: los Larra y los Curiel-Montero. Las autoridades del pueblo no veían con buenos ojos a Smith. Hacía demasiadas fotografías y muchas preguntas. Aquellos que le ayudaron en su reportaje vieron cómo estas fotografías les cambiaron la vida en una época marcada por la represión, la ignorancia y el miedo.

El director del programa, Jorge Martínez Reverte, conducirá en el plató un debate en torno al tema “De profesión “Sus labores””. Entre las invitadas al debate se encuentran Carme Molinero, asesora de Historia Contemporánea de la Universidad Autónoma de Barcelona. Ha dirigido el Centro de Estudios sobre las épocas franquista y democrática y entre sus obras cabe destacar: “Mujer y Franquismo” ; Ángela Cenarro, Investigadora y Profesora en el Departamento de Historia Moderna y Contemporánea de la Universidad de Zaragoza. Su obra más divulgada tiene por titulo: “La Sonrisa de Falange. Auxilio Social en la guerra civil y en la posguerra”; y Juana Salabert, Escritora. Nacida en París durante el exilio. A destacar su libro “Hijas de la Ira”, en el que se recoge el testimonio de diez mujeres cuya vida –durante la niñez- se vio afectada por la Guerra Civil.

El.Laberinto.Español.(El.Americano).(DVB-T_RIP.XviD.mp3).por.R2D2.avi
El.Laberinto.Español.(Debate_De.profesion.sus.labores).(DVB-T_RIP.XviD.mp3).por.R2D2.avi

"OS GRANDES PORTUGUESES" : António de Oliveira Salazar



Os Grandes Portugueses é um projecto que ultrapassa largamente as fronteiras de uma simples emissão televisiva.

Cobrindo vários níveis de multimédia, o programa combina entretenimento, documentário, biografia, grande espectáculo e informação. Em paralelo, inclui uma grande campanha, em todos os meios disponíveis, para motivar os portugueses a nomear a sua figura histórica preferida.

Esta campanha inclui, igualmente, um road-show, em camião TIR, que se deslocará pelo país promovendo a proximidade d’ Os Grandes Portugueses com a população.

No programa você vai eleger – através do seu voto – a personalidade mais marcante da História de Portugal. De Outubro de 2006 a Março de 2007, na RTP, os portugueses vão decidir quem é a figura pública (em todas as áreas, viva ou morta) que, na sua opinião, merece ser considerada o “maior” português de todos os tempos.

Numa primeira fase, de 1 a 31 de Outubro, o programa apelou à nomeação – através de SMS, telefone e do site oficial de Os Grandes Portugueses - da personalidade que mais contribuiu para a grandeza da História de Portugal.

Nesta segunda fase, vamos ficar a saber quem são os 10 portugueses mais votados. E inicia-se nova votação para apurar, de entre estes, o seu Grande Português.

Esta votação faz-se, apenas, por telefone. Poderá votar apenas uma vez por cada aparelho de telefone e tudo o que tem a fazer é ligar o número que está associado à figura em que quer votar. Se depois de ter votado quiser alterar a sua votação bastará ligar com o mesmo telefone para o número que está associado à nova personalidade. O seu antigo voto será automaticamente alterado.

Pode votar a partir das 0h00 do dia 15 de Janeiro de 2007 até ao dia da Grande Final, prevista para os primeiros dias de Março.

Na terceira fase, nessa Gala Final, após debate animado entre os defensores de cada candidato, os portugueses ficarão a conhecer os resultados das suas votações e… o nosso Grande Português.

Este programa é feito por si. Participe. Vote em quem quiser.

Dirigiu, de forma ditatorial, os destinos do País durante quatro décadas. Foi ministro das Finanças, presidente do Conselho de Ministros, fundador e chefe do partido União Nacional. Afastou todos os que tentaram destituí-lo do cargo. Instituiu a censura e a polícia política. Criou dois movimentos paramilitares: a Legião e a Mocidade Portuguesas. Mas equilibrou as finanças públicas, criou as condições para o desenvolvimento económico, mesmo que controlado, e conseguiu que Portugal não fosse envolvido na II Guerra Mundial. Manteve a separação entre o Estado e a Igreja. Figura controversa, marcou sem dúvida a história do País.
– Contrair Conteúdo

“Sei muito bem o que quero e para onde vou”, disse António de Oliveira de Salazar na tomada de posse da pasta das Finanças, em 1928. E durante quase 40 anos assim foi. “Em rigor, foi o primeiro-ministro de um rei absolutista”, diz Marcelo Rebelo de Sousa. “Primeiro-ministro, a que uns chamarão déspota esclarecido e outros iluminado. Governou em nome do povo, substituindo-se a ele e invocando a Nação.”

Salazar nasceu no dia 28 de Abril de 1889. Para os pais, um casal de agricultores de Santa Comba Dão, era a resposta às suas preces. Maria do Resgate, de 44 anos, dera à luz quatro filhas e já quase perdera as esperanças de deixar no mundo um filho varão. Tratado quase como um milagre, teve direito a aulas particulares até à entrada no seminário diocesano de Viseu, em 1900. A sua inteligência e vontade de aprender deram frutos: obteve a equivalência do liceu com 19 valores e decidiu-se pelo curso de Direito, em Coimbra. Na cidade dos estudantes fez uma das suas poucas amizades, que manteve ao longo da vida - o padre Manuel Cerejeira, futuro cardeal. “São duas pessoas muito curiosas do seu tempo”, lembra a historiadora Irene Pimentel. “Salazar e Cerejeira foram marcados pelo catolicismo e pela política católica, a chamada democracia cristã.”

Durante este período, Salazar liga-se à ala católica, anti-republicana. Faz parte do Centro Académico da Democracia Cristã e escreve artigos de opinião em jornais ligados à Igreja. É, assim, com naturalidade, que concorre por Guimarães como deputado ao Parlamento. Demora-se no cargo apenas três dias. Desiste e regressa a Coimbra.

Salazar regressa à sede do poder em 1926. A crise económica, entretanto instalada, e a instabilidade política da I República tinham levado ao golpe militar de 28 de Maio. Professor de Coimbra, muito considerado, recebe a pasta das Finanças. Desta vez, demora-se mais tempo no cargo: 13 dias. Por não ver satisfeitas as condições que impusera como indispensáveis, demite-se. Sabe que, mais cedo ou mais tarde, precisarão dele.

Menos de dois anos depois, o convite é repetido. Exige em contrapartida o controlo sobre as despesas e receitas de todos os ministérios. Entre 1928 e 1929 consegue um superavit nas finanças públicas. Aquele que se afirmava como um não-político, iniciava uma carreira meteórica. “Salazar tinha aquela concepção de que há uma elite política, que é a do regime, que está toda reunida num partido único, a União Nacional, e Salazar, que é um ditador. Depois, há todas as outras pessoas, que deviam deixar-se governar. Evidentemente, é a tal história: manda quem pode, obedece quem deve. E, para isso, não se faz política”, diz Irene Pimentel.

Em 1930, como alternativa à ditadura militar, imposta em 1926, e às sucessivas revoltas da oposição democrática, Salazar funda o partido União Nacional. Prepara-se para tomar o poder. Este seria o denominador comum de todos quantos quisessem servir a pátria. “Tudo pela Nação, nada contra a Nação”, dizia.

Político exímio, o ministro das Finanças da ditadura militar consegue afastar os sucessivos presidentes do conselho de ministros militares nomeados. Acaba por assumir o governo do País em Abril de 1932.

No ano seguinte, faz ratificar uma nova Constituição, apesar de uma abstenção de 40% (considerados votos a favor). O seu poder pessoal passa a assentar em bases sólidas. Cria a Polícia de Vigilância e Defesa do Estado (PVDE), mais tarde Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE), uma polícia política. Proíbe as oposições e impõe, com o partido único, um regime totalitário. Chama a si o despacho directo dos pelouros sensíveis, onde se inclui a propaganda e a censura. “Só para dar alguns exemplos, não havia suicídios em Portugal, porque a censura censurava os suicídios. Não havia conflitos sociais, porque a censura censurava os conflitos. Enfim, ele tentou criar a imagem de uma sociedade perfeita”, continua Irene Pimentel.

A vontade de mudança surge com o fim da II Guerra Mundial, em 1945 e 1949, com a criação do Movimento de Unidade Democrática (MUD), mas sobretudo em 1958, nas eleições presidenciais. O general Humberto Delgado - que fora seu activo colaborador - congrega à sua volta a oposição e provoca uma onda anti-salazarista. O chefe do Conselho de Ministros defende-se, reforçando a acção repressiva. Altera a Constituição e torna a eleição presidencial dependente de um colégio eleitoral da confiança do regime.

Com a perda da Índia Portuguesa, em 1962, e o início da guerra em África, no ano anterior, Salazar já não tem a mesma confiança no povo português. Em conversa com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Franco Nogueira, desculpa-se: “Se em lugar de governarmos este país, governássemos outro, conseguia-se mais. Neste, a gente puxa mas, como não dá, temos a tendência para nos nivelarmos à massa.”

“O essencial do seu pensamento é este”, explica Marcelo Rebelo de Sousa: “A ideia do equilíbrio económico-financeiro e da autoridade que deve controlar a liberdade. A ideia de um Portugal projectado no mundo através de um império, e não integrado na Europa. A ideia de um país que vivesse de forma comedida, sem excessos de riqueza, luxo ou ambição. Portanto, governou Portugal à sua medida.”

Em 1968 a guerra em África matava os mesmos homens - e os seus filhos - que Salazar dizia ter salvado do conflito da II Guerra Mundial. A opinião pública já não o favorecia. Mas permaneceu no cargo. Até cair de uma cadeira. O que parecia não ter deixado mazelas transformou-se num hematoma craniano. Operado com urgência, volta a sofrer um acidente cardiovascular. É declarado incapaz e acaba exonerado do cargo. No entanto, morre sem o saber. Corria o ano de 1970. “Não conheço nenhum outro caso de uma ditadura e de um ditador em torno do qual, depois de ter saído formalmente do poder, se tenha construído uma ficção como a que se construiu em torno do Dr. Salazar. Construiu-se a ficção de que ele continuava a ser o primeiro-ministro”, lembra João Soares.

Com a sua morte, morre um regime que viveu da sua imagem. Mais de 40 anos passados, a polémica ainda está instalada: foi o salvador da pátria ou um ditador? “Como os fenómenos culturais são lentos a mudar, há uma certa inércia que fica na cabeça das pessoas. Essa inércia diz o seguinte: foi um tempo em que não havia democracia, nem liberdade, mas havia estabilidade, autoridade e um viver modestamente, mas em equilíbrio económico e financeiro”, explica Marcelo Rebelo de Sousa. “E essa ideia que ficou tem o seu lastro que, de quando em vez, vem ao de cima, porque 40 anos são muito na história de um povo.”

link e-mulle: Grandes.Portugueses.Antonio.de.Oliveira.Salazar.RTP1.JPL.TVRIP.avi

sexta-feira, 20 de julho de 2007

Portugal: Um.Retrato Social - Episodio 06



Igualdade e conflito: As relações sociais

As famílias portuguesas têm hoje mais rendimentos e mais conforto. Em vinte ou trinta anos, o bem-estar melhorou mais que nos cem anteriores. Cresceram as classes médias. Desenvolveu-se a sociedade de consumo de massas. O comércio, as modas, a escola, a televisão e a cultura fazem uma sociedade onde todos parecem iguais. Mas subsistem diferenças muito importantes de classes, de poder económico, de geração, de sexo e de região.

Retrato social de Portugal nas últimas décadas

As grandes transformações sociais

As mudanças sociais verificadas em Portugal ao longo das últimas quatro décadas foram profundas e mais rápidas do que na maioria dos países europeus. Em certos casos, como na demografia, certas mudanças, medidas através dos indicadores sociais clássicos, ultrapassaram os valores médios dos países vizinhos.

A emigração, a guerra colonial, uma revolução política e social, a fundação do Estado democrático, a descolonização, uma contra-revolução, a adesão à União Europeia e a imigração foram alguns dos acontecimentos ou fenómenos históricos que marcaram estas quatro décadas e que resultaram ou aceleraram mudanças sociais profundas.

O sentido geral destas mudanças sociais foi o da aproximação dos padrões de vida europeus. Os indicadores demográficos, sociais e económicos portugueses parecem-se, cada vez mais, com os dos membros da União Europeia. Ainda há sinais relevantes que traduzem uma história específica, diferenças permanentes, um atraso real e circunstâncias especiais.

Mas nada permite afirmar hoje, como seria possível há poucas décadas, que Portugal mais parecia um país de outro continente. Os domínios do social e do económico foram mais dinâmicos do que o do político. Ainda a sociedade parecia imutável, nos anos sessenta, por causa do imobilismo político, e já as forças sociais, económicas e culturais registavam mudanças profundas, invisíveis à primeira vista.

A mudança política de 1974, a mais visível e a mais dramática, acelerou as mudanças sociais em curso. Mas foi ela própria preparada por aquelas. As mudanças sociais foram permanentes e contínuas. E começaram antes de 1974. A própria integração europeia, cujo início é costume datar de 1977, com a candidatura à Comunidade, ou de 1986, com a adesão efectiva, começou muito antes: com a emigração e o turismo dos anos sessenta, com a fundação da EFTA em 1959/60 e com o desenvolvimento das relações económicas e empresariais dos anos setenta.

As mudanças sociais e demográficas podem ser mais profundas do que as políticas, mas estas são mais perceptíveis, aparentemente mais radicais e têm um efeito acelerador. Removidos, com a democracia e a integração europeia, os obstáculos políticos, a mudança social e económica prosseguiu, depois de 1974, a um ritmo ainda mais rápido. Em todo este processo de mudanças rápidas ou graduais, invisíveis ou dramáticas, assistiu-se a uma permanente oscilação entre factores internos e externos. Mas sublinha-se a importância predominante dos factores externos: a emigração, o turismo, o comércio externo, os investimentos estrangeiros, os costumes, as modas, a ciência, a técnica, as artes, as mentalidades, a religião, etc.

Em certas situações, as sociedades não têm, dentro de si, forças, dinâmicas e dimensão suficientes para gerar uma mudança social acelerada. Sobretudo nos casos de sociedades pequenas, fechadas ao exterior, politicamente autoritárias, culturalmente viradas para si próprias, dotadas de insuficientes elites e com uma reduzida expressão das classes médias. Como era o caso de Portugal. Gradualmente exposto ao mundo exterior, mesmo contra ou apesar da vontade dos dirigentes políticos, o país encetou processos de mudança não programados. A abertura ao exterior terá sido a mais importante causa e consequência das transformações ocorridas.

Mas a sociedade não se limitou a digerir ou assimilar passivamente as influências externas. Pelo contrário, foi atravessada por acontecimentos e movimentos próprios, através dos quais teve de resolver os seus problemas atávicos, ultrapassar contradições, dirimir conflitos, encontrar as suas soluções e adaptar-se a novas situações. No que revelou uma notável plasticidade. Não era, com efeito, fácil, libertar-se um país de tanto quanto o condicionou durante décadas: a ignorância e a reverência; a delação e o medo; o autoritarismo e a repressão. Ao mesmo tempo que se separava de África e se voltava para a Europa; e que sacudia o paternalismo e criava uma República de cidadãos.

Ao fim de quarenta anos de uma quase correria, a sociedade, tão diferente do que era, encontra, não obstante, velhas questões. Mesmo se menor, a pobreza relativa de Portugal não deixa de ser causa das maiores ansiedades da população e dos seus dirigentes. Vivendo numa sociedade aberta de informação e conhecimento, de modas e de padrões de comportamento cosmopolitas, os portugueses partilham, as expectativas e as aspirações dos países mais desenvolvidos do mundo. Mas não têm, na sua economia, na sua cultura e na sua sociedade, capacidades suficientes para as satisfazer e concretizar.

As suas deficiências de organização, de formação técnica, de cultura, de produtividade, de rendimento económico e de eficácia dos serviços públicos são fonte de desequilíbrio e de frustração. Os portugueses habituaram-se, há séculos, a comparar-se com os europeus. E, apesar de muitas vezes resignados, não se conformam com os resultados das comparações: por mais depressa que andem, continuam muito atrás. Para um país que já foi pioneiro, é um pesadelo permanente.

É esta consciência do atraso que ajuda a alimentar a mitologia de uma identidade nacional muito especial. A de um país diferente, na dimensão, na glória passada e no carácter. A de um povo que, para se manter, deveria resistir à mudança e ao exterior. E, no entanto, o país moveu-se. A ponto de ficar um país como os outros.


Causas e efeitos da mudança

O que explica a rapidez das mudanças? Em primeiro lugar, o atraso inicial em que o país se encontrava. De certo modo, “queimaram-se etapas”, dado que os factores de mudança, sobretudo os externos, eram já dos novos tempos (comércio externo, turismo, emigração, etc.).

Portugal não era um “país subdesenvolvido” típico do Terceiro Mundo, onde os factores de mudança podem não ter grande impacto. Portugal encontrava-se já num estado de desenvolvimento capaz de absorver as influências externas e de, num primeiro momento, reagir e aproveitar o estímulo dos países e das economias mais avançadas. Segundo, o facto de alguns acontecimentos históricos terem acelerado a mudança, como por exemplo a guerra colonial, a revolução política, a descolonização e a integração europeia. Em terceiro lugar, as elites portuguesas (reduzidas, relativamente pobres e pouco cultas) já conheciam as possibilidades do mundo mais moderno.

Os portugueses (elites, classes médias, emigrantes, técnicos, etc.) tinham aspirações e expectativas muito acima das possibilidades que o país lhes oferecia. A mudança rápida tem, só por ser rápida, implicações e consequências. Representa uma espécie de “atalho”, na medida em que se podem saltar etapas de desenvolvimento e crescimento. Condiciona a solidez do desenvolvimento (aquilo a que os economistas contemporâneos gostariam de chamar “sustentação”). Na verdade, o que de mais evidente se revela é a falta de preparação, de ordenamento e de planeamento. As escolas superiores e as universidades, por exemplo, cresceram muito rapidamente em dez ou vinte anos (em unidades e instituições, em número de estudantes e de professores, em número de cursos, etc.). Acontece que, para esse crescimento, não havia edifícios, salas, professores, cursos, técnicos, laboratórios, etc., em condições, com qualidade e experiência suficientes. Foi necessário construir à pressa, recrutar docentes (desqualificados) à pressa, criar instituições à pressa, estabelecer “numerus clausus” com o único objectivo de limitar o acesso depois de verificado o excesso.

O resultado está à vista: ensino de má qualidade, cursos e diplomas desqualificados, desperdício de recursos, multiplicação de cursos e instituições, investigação muito deficiente, deficiente ligação das escolas à sociedade e às empresas, etc. O paralelo pode ser estabelecido com outras áreas e sectores de actividade. A urbanização rápida, acompanhada de especulação, de corrupção, de falta de experiência no ordenamento urbano, de ausência de hábitos e tradições de envolvimento colectivo no ordenamento, etc., criou a desordem urbana que hoje caracteriza as áreas metropolitanas de Lisboa, Porto, Setúbal e outras.

O crescimento económico dos anos sessenta e setenta criou oportunidades inéditas em Portugal e conduziu ao aparecimento de empresas e negócios, sem, todavia, bases suficientes: de capital, tradição, experiência, organização da produção, regras de comportamento entre patrões e trabalhadores, métodos de trabalho com o mercado, etc. O que contribuiu para que aquele crescimento económico notável repousasse sobretudo na força de trabalho barata, com reduzido investimento. O crescimento económico rápido, a mudança social rápida e a expansão rápida dos sistemas fizeram-se com reduzido sentido de acumulação e consolidação. Nos anos de crescimento europeu, Portugal cresceu sempre mais do que os outros. Mas, nos anos de estagnação e recessão (ou de choques, como os do petróleo), Portugal sofreu as consequências muito mais marcadamente.

A “nação” é a mesma. Pela cultura e pelo património; pela língua e pela memória; pelos valores e pelos mitos; pelas referências históricas e culturais; pelo sentimento de pertença e pela herança dos antepassados. Mas a sociedade é muito diferente. Mesmo se há costumes que se mantém. Há ainda traços especiais que criam a ilusão de que a mudança foi pouca. Por exemplo, o sentimento de atraso diante dos países europeus. A obsessão com a comparação com os outros povos mais desenvolvidos. A síndrome de fidalgo arruinado: a sensação de que Portugal foi, noutros tempos, um “grande país” e uma “nação desenvolvida”, tendo conhecido nos últimos dois ou três séculos um processo de regressão relativa. A desilusão contemporânea é motivada pelo abrandamento do progresso e do melhoramento.

Dos anos sessenta aos noventa, as melhorias foram constantes e muito significativas, em todos os domínios (emprego, rendimentos, qualificações, educação, saúde, cultura, comunicação, etc.). A partir dos anos noventa, surgiram regressões, estagnação, abrandamento e sobretudo o sentimento de esgotamento. Ainda por cima com a perda de ritmo relativamente aos países europeus. Nasceu a incerteza. Nasceu a dúvida. Os períodos de recessão ou de estagnação que se seguem a períodos de crescimento e desenvolvimento têm efeitos psicológicos muito profundos. Quem conheceu melhores tempos, quem viveu ritmos de progresso muito marcados, sente-se ameaçado pelo abrandamento, pelo esgotamento; sente que pode perder o que ganhou.

Há quarenta ou cinquenta anos alguns traços marcavam fortemente a sociedade: país pequeno, pobre, periférico e fechado. A pequenez manteve-se (eventualmente agravada pela descolonização). A pobreza também (mesmo se muito reduzida). A periferia também (mas esbatida pelas novas características das sociedades modernas, com a rapidez das comunicações, as estradas e auto-estradas, a globalização). O carácter fechado é que foi radicalmente alterado. Os factores externos tiveram decisiva influência: tornaram relativos os efeitos da pequenez; estimularam o crescimento económico, o que aliviou consideravelmente a pobreza; reduziu e esbateu as implicações da periferia; e provocou a abertura da sociedade. Na verdade, ainda hoje a sociedade sofre os efeitos desses traços ainda patentes: pequenez, pobreza e periferia. A pobreza dos portugueses é, por um lado, criada (Jorge de Sena: “Empobreceram-nos”!). Mas, por outro, tem origens de facto. As capacidades agrícolas são fracas, os solos estão cansados e são pobres e ácidos e chove de modo pouco propício à actividade agrícola. As capacidades pecuárias, por via do clima e da actividade agrícola, são reduzidas. Não existem recursos naturais nem matérias-primas próprias das eras industriais: carvão, ferro e outros minérios; nem da civilização de altos consumos energéticos: petróleo e recursos hidroeléctricos.

De certo modo pode dizer-se que o sentido geral de evolução da sociedade e da demografia (e da economia ou da cultura...) foi o de aproximação dos padrões de vida e comportamento dos europeus mais desenvolvidos, assim como da sociedade americana (neste caso, sobretudo nos aspectos económicos e culturais, menos na demografia). Qualquer que seja o ponto de vista ou de observação, o mais provável é que os indicadores de evolução portuguesa revelem essa aproximação. Por exemplo: mortalidade, fecundidade, dimensão das famílias, integração das mulheres na população activa, expansão do sistema escolar, aumento dos rendimentos familiares, terciarização, declínio das actividades agrícolas, abrandamento relativo das actividades industriais, desenvolvimento do Estado de protecção social, etc.

Em todos estes aspectos, a evolução rápida de Portugal foi sempre no sentido de se aproximar dos padrões europeus. No entanto, cada país, cada sociedade, em cada momento, faz esse caminho à sua maneira, com características próprias. O caso da integração das mulheres na sociedade pública e na economia é revelador deste duplo ponto de vista. Por um lado, passou-se em Portugal exactamente o que se passou nos outros países ocidentais. Por outro lado, os traços específicos foram reais: mais tarde no tempo; mais rápido; motivado directa e imediatamente pela emigração dos homens para a Europa e pela guerra colonial que retirava umas centenas de milhares de homens das actividades produtivas. Nação velha e Estado antigo. Povo com indelével sentimento de identidade e de independência. Povo com permanente sentido do seu passado e de uma grandeza pretérita. Gente com a sensação, desde finais do século XVIII e inícios do século XIX, de um atraso crónico e crescente relativamente aos outros países vizinhos.

O atraso económico, social, político e cultural dos portugueses é, há muito, um dos traços do património mental colectivo. Sociedade tradicionalmente muito hierarquizada e centralizada. O essencial da economia e da sociedade dependia do Estado central. Este (monarca ou Administração Pública) raramente conheceu rivais (senhores, príncipes, autarquias, empresas, grupos económicos, instituições) que desafiassem o seu poder. O poder central em Portugal teve sempre muito pouco contrapesos ou moderadores. A Igreja (a mais forte instituição fora do Estado) esteve, na maior parte do tempo moderno (século XVIII para cá), ligada ao Estado: foi um fiel parceiro. Quando assim não foi (em parte Pombal, os Liberais do século XIX, a 1ª República), estava afastada ou dominada pelo Estado. Hierarquias sociais muito rígidas e verticais ligadas a sistemas de patrocinado de Estado (aliança de poderes locais pessoais ou autárquicos ao Estado central).

sábado, 14 de julho de 2007

El Laberinto Español:



CAPITULO 9: SAN FERMINES 78
Cita:

El ocho de Julio de 1978 las fiestas de San Fermines se vieron interrumpidas por unos sucesos que conmocionaron Pamplona. Ese mismo año se estaba negociando el texto de la Constitución Española y Navarra vivía días de tensión política ante la posibilidad de su anexión a la Comunidad Vasca. Además las acciones de la extrema derecha, el avance del movimiento obrero, las actuaciones de ETA, los incipientes partidos políticos, etc. formaban parte de un puzzle difícil de resolver en esos años de transición a la democracia.

25 años después de esos sucesos, sus protagonistas nos cuentan como vivieron aquellos días formando un retrato colectivo de esa época y acercándonos un poco más a la realidad de aquellos hechos.

El director del programa, Jorge Martínez Reverte, conducirá en el plató un debate en torno al tema “1978 ¿Navarra era Euskadi?”. Entre los invitados al debate se encuentran Víctor Manuel Arbeloa, Escritor, poeta e historiador. Senador en las dos primeras legislaturas de la democracia española y primer Presidente del Parlamento de Navarra. Autor del libro “Iglesia y Estado durante la Segunda República Española; Juan José Solozabal, Catedrático de Derecho Constitucional por la Universidad Autónoma de Madrid. Doctor en Derecho por la Complutense. Dirige la revista de pensamiento “Cuadernos de Alzate” y es autor de los libros “El primer nacionalismo vasco” y “Nación y Constitución”; y Santiago González, Periodista del grupo editor de “El Diario Vasco” y “El Correo Español”. Autor del libro “Palabra de Vasco”.

El.Laberinto.Español.(San.Fermines.78).(DVB-T_RIP.XviD.mp3).por.R2D2.avi
El.Laberinto.Español.(Debate_1978.¿Navarra.era.Euskadi).(DVB-T_RIP.XviD.mp3).por.R2D2.avi